
Waleska Nomura, 35 anos, conheceu o graffiti através do irmão, e também artista urbano, Tinho. Pegou a primeira lata de spray aos 11 anos, enquanto mexia nas coisas do irmão mais velho. Após pintar a porta do quarto inteiro, não quis parar mais. Nessa entrevista, ela conta um pouco daquilo que o graffiti representa para ela.
Qual foi o seu encanto pela arte de rua, pelo graffiti? Como isso se tornou parte da sua vida e do seu cotidiano?
Quando eu peguei numa lata de spray pela primeira vez, foi quando eu tinha 10 ou 11 anos, achei no quarto do meu irmão, ele tinha uns 13, 14 anos. A porta dele já estava toda pintada e resolvi testar a lata, aquilo me fascinou tanto que pintei toda a porta do meu quarto também. Mas o encanto mesmo veio quando eu comecei a pintar nas ruas, com contato direto do público. Podendo pintar o que eu quisesse e passar a mensagem que quisesse para milhões de pessoas que passassem pela rua.
Sendo uma das poucas mulheres na rua quando começou, em algum momento teve medo ou se sentiu vulnerável?
Eu sempre fui meio doidinha quanto a minha segurança, sempre fui muito atirada para tudo. Bem antes de eu começar a pintar, já freqüentava muitos shows de Hardcore e me jogava do palco, confiando em alguns amigos que iriam me pegar lá embaixo, se eu gosto ou acredito em algo, eu pulo de cabeça mesmo. Quando eu comecei a fazer o graffiti, um dos motivos que me fascinou mesmo, foi esta sensação de perigo, de adrenalina. Quanto à vulnerável, eu sempre me sinto vulnerável! Andando pelas ruas, dirigindo o carro a noite, no ônibus, dormindo… Mas o único momento que eu não me sinto vulnerável é quando eu estou pintando, seja na rua ou no atelier, eu me sinto feliz e protegida. Porque ali eu me coloco em um mundinho só meu.
Você observa algum tipo de distinção ou peculiaridade no graffiti feminino?
Não em todas as artistas, mas na maioria, da para notar sim, pois as mulheres são, na maioria, mais sensíveis que os homens. Os homens têm uma visão mais direta, mais prática, a mulher, geralmente, tem uma visão mais romântica, mais florida, eu acho.
Fala um pouco do seu trabalho intitulado “Espalhando Amor e Energia Positiva pelo Mundo”, como surgiu esse conceito dentro de você e por que.
Por eu estar sempre pintando nas ruas, as pessoas sempre me paravam para elogiar e diziam como minhas pinturas as faziam felizes. Isso me fez pensar muito sobre o meu trabalho e decidi dar início a este projeto, isso me fez muito feliz, pois tinha a possibilidade de estar pintando nas ruas, em contato com milhões de pessoas que estariam passando por lá e eu poderia estar mandando uma mensagem positiva, passando um pouco de conforto a muita gente.
O que o graffiti representa na sua vida como um todo?
É uma plataforma para eu me expressar com o mundo, algumas pessoas escrevem livros, outras, escrevem música ou poesia, eu uso minha arte para expressar meus sentimentos.










Mais Waleska em: http://www.waleska.co.uk/
Fotos: Bela Gregório
Postado por: Bela Gregório